O que está na mente dos principais CIOs do Brasil

Postado em: 09 de April de 2019

Imagine uma mesa composta pelos principais líderes de TI do Brasil, reunidos para compartilhar os desafios estratégicos para 2019? Foi exatamente isso que aconteceu na última sexta-feira, 5, no restaurante Cantaloup. O evento Mesa Redonda, da Fórum Editorial, proporcionou o encontro com os 12 CIO’s eleitos pelo Prêmio Profissional de TI 2018, e nós estávamos lá, para reconhecer e aprender com este time de executivos que tem muito a ensinar ao mercado.

A conversa foi de altíssimo nível e nos trouxe um ótimo termômetro sobre a visão dos líderes que representaram diversos setores, como agronegócios, alimentos e bebidas, bancos, varejo, finanças, farmacêutica, indústria, saúde, serviços e transporte aéreo. Em linhas gerais, faz tempo que o desafio do CIO era manter a estrutura de TI funcionando. Agora, ele está muito mais relacionado a melhoria da experiência dos usuários do que outra coisa, sejam clientes ou funcionários. 

De acordo com Cesar Augusto, CIO da Claro, integrar sempre vai ser um grande desafio, mas, agora mais do que nunca, olhando para novas plataformas de automação, big data e analytics. De forma leve e descontraída ele levou estas e outras necessidades como a de simplificar processos, arrancando sorrisos dos presentes. “As dores de cabeça existem, mas você precisa entender que estes desafios fazem parte do seu dia a dia. Eu procuro levar alegria em tudo o que eu faço.” Na opinião da Walkiria Marchetti, do Bradesco, não estamos integrando tecnologia, mas sim pessoas. “Para mim, o maior desafio está na integração das pessoas, processos e modelo de negócio”, comenta.

O paralelo entre as áreas de inovação e arquitetura também foi alvo da conversa, refletindo o desafio de cruzar o “mundo novo” com os sistemas legado. Para Humberto Shira, CIO da Votorantim Cimentos, foi preciso repensar tudo para remodelar a estrutura. Assim, conseguimos nos preparar para o dinamismo do mercado, mantendo o foco em microsserviços para obter agilidade.

Um dos assuntos bastante citado foi a implementação de um cultura ágil nas companhias, que demanda uma mudança de postura e comportamentos dos colaboradores no que diz respeito a hierarquias e modelo de trabalho. Para a Walkiria, por exemplo, que convive com o mantra de fazer do Bradesco um banco 100% Digital e focado no público hiper conectado, se fez necessário desenvolver programas de capacitação para a liderança. “Lá temos o Acelera TI, que trabalha o desenvolvimento dos times para avançar rapidamente na arquitetura Lean/Agile”.

Renata Marques, CIO da Whirlpool, dá um destaque importante para o tema, dizendo que neste novo modelo as funções estão se misturando e, por conta disso, o espírito de colaboração se faz ainda mais necessário. Os times precisam desapegar das diferenças entre “o que é meu e o que é seu”.

Percebemos que os “muros” estão sendo desfeitos aos poucos neste novo modelo e, como o próprio Cesar Augusto, CIO da Claro, pontuou, a inovação não é um departamento. Todos precisam estar abertos a isso. O CIO precisa estar cada vez mais por dentro do negócio, assim como CMO muito mais tecnológico.

Foi interessante também conhecer cases práticos como o do Sírio Libanez, contado pelo seu CIO, Ailton Brandão. Lá, a digitalização acontece do autoatendimento, com os totens disponíveis na unidade, até o atendimento médico. “No Sírio, os médicos possuem acesso a um banco de dados com informações do paciente, para que este possa realizar o atendimento com informações históricas, aumentando assim a qualidade da avaliação”. Como plateia, ficamos ainda mais entusiasmados positivamente ao saber que na própria área de TI do hospital existem médicos atuando. Estes, após uma especialização específica, aplicam a sua mentalidade analítica para prover cada vez mais inteligência e impulsionar o uso da tecnologia a favor da saúde. 

A história da Gol, contada por seu CIO, Paulo Palaia, foi muito inspiradora. Quando começaram a desenvolver soluções no modelo ágil, ainda como hobbie, juntaram alguns interessados para discutir e começar a desdobrar algumas ideias. E assim, sem uma estrutura previamente definida, criaram diversas soluções que hoje impactam diariamente vários clientes da Gol, como o Voejunto e o serviço de geolocalização que auxilia o passageiro a não perder o vôo. Depois deste exercício muito bem sucedido, criaram a Gol Labs, que comporta hoje uma estrutura de colaboradores capacitados, para desenvolver soluções no modelo ágil, 100% focadas nas necessidades do usuário. “Produtividade, performance, incubadora e inovação, estes são os nossos pilares.”, reforça Paulo.

E assim encerrou-se mais um Mesa Redonda, com muito aprendizado para todos os participantes. Como ouvintes e apoiadores da iniciativa, sabemos que o maior desafio desta jornada é cultural e que a tecnologia não é mais uma barreira. Até o próximo encontro.