Automação Robótica de Processos: três promessas do RPA

Escrito por grano   |   Tempo de leitura: 3 minutos

No RPA robôs de software automatizam processos repetitivos de troca de dados entre aplicações, reduzindo erros e trazendo benefícios para o negócio

por Mônica Miliatti*

Robotização não é um tema novo na sociedade e já foi abordado, em inúmeros filmes, como um amigo ou inimigo da humanidade. Em 1927, o diretor alemão Fritz Lang lançou “Metrópolis”, produção que se passa no ano de 2026 em um cenário pós-apocalíptico no qual uma robô é introduzida entre trabalhadores para semear a discórdia. Essa é uma das primeiras obras que faz alusão à inteligência artificial atuando como adversária dos seres humanos. Quase cem anos após o lançamento, a história real mostra que os robôs são nossos aliados.

A transformação digital trouxe a introdução de novas tecnologias, que permitem a automação de atividades repetitivas associadas a processos de negócios. Um dos modelos é a Automação Robótica de Processos (Robotic Process Automation, ou RPA)

De acordo com Wagner Siqueira, Head de Smart Automation da Spread, o RPA usa ferramentas de software, algoritmos e inteligência para automatizar serviços recorrentes que envolvem extrair informações de um sistema e introduzi-la em outro – economizando esforço humano e aumentando a qualidade dos resultados. “Por exemplo, no segmento de Saúde, em um laboratório de análises clínicas, um atendente de call center precisa consultar autorizações no sistema de uma seguradora e inseri-las no sistema da empresa. É uma atividade extremamente repetitiva, com alto índice de erro humano e até mesmo possibilidade de fraude. Nesse caso, um robô de RPA pode coletar as autorizações e atualizar seu sistema muito mais rapidamente e com mais segurança que processos manuais”, explica.

Robôs RPA podem entrar em diferentes sistemas de informação, incluindo telas de mainframe, aplicativos, desktop, documentos ou páginas Web, para localizar, copiar e inserir os dados em outros sistemas e documentos, diminuindo esforço, custo e erros em processos importantes para o funcionamento de uma empresa ou departamento. O Gartner prediz que, até 2021, 20% das empresas de grande e médio portes vão diminuir custos em processamento, administração e compliance por conta do RPA.

Siqueira diz que o mercado de RPA é bastante dinâmico, atendido tanto por ferramentas comerciais quanto open source, com um grande número de fornecedores, o que faz com que a sua adoção seja democrática e rápida. Além disso, ele destaca três benefícios que as empresas percebem ao automatizar processos:

1. Diminui o índice de erro. Com transferência automatizada de dados e inteligência artificial, erros dificilmente acontecem;

2. Melhora a escalabilidade. Robôs de RPA podem ser programados para funcionar 24 horas por dia, 7 dias por semana;

3. Aumenta o ROI. Com exceção de atualizações de funcionalidades, robôs de RPA não geram custos adicionais após a sua configuração e adoção, o que permite um grande retorno sobre o investimento (ROI).

Siqueira acrescenta que o processo de automatização robótica é um passo anterior a processos mais sofisticados de automação, que podem até mesmo utilizar inteligência artificial, permitindo analisar dados e informações ao ponto de tomar automaticamente decisões corretas para o negócio. Além disso, na sua visão, consultorias que utilizam RPA no seu dia a dia podem sair na frente dos concorrentes tanto em velocidade quanto em preço final dos projetos.

Vale pontuar que, mesmo com a digitalização via RPA, os robôs não irão eliminar vagas de trabalho ou iniciar uma revolução contra os seres humanos, como tantos filmes de ficção científica já apontaram. “Os robôs de RPA surgem para eliminar dores das empresas e facilitar o dia a dia – disparando tarefas a partir de e-mails ou WhatsApp, ou buscando informações em sistemas de governo, parceiros e fornecedores, por exemplo. RPA automatiza processos repetitivos, liberando as pessoas para fazerem atividades que agregam mais valor aos negócios”, avalia Siqueira.

*Mônica Miliatti é jornalista na essense, agência responsável pela estratégia de conteúdo da Spread